19.6.09

Espinafrada contra a Publicidade Infantil

"Defendi a probição à publicidade direcionada ao público infantil, menor de 12 anos, e não à publicidade de produtos para a infância. A publicidade que fala diretamente com a criança é a que não deve existir. Isso não vai provocar impacto na economia". - Isabella Henriques, coordenadora-geral do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana."

Mais uma vez, volto com o assunto sobre a proibição da publicidade focada nas crianças. Sobre a questão, ocorreu uma audiência pública em Brasília, realizada no último dia 18 (a matéria toda está no mmonline*).

Pela declaração de Isabella Henrique, dá para perceber que, além de advogada, a dra. deve ser economista - e de vanguarda - afinal, garantir que uma medida desse porte não trará impacto nenhum na economia é coisa de quem se considera "dono da verdade", título que cabe como luva para a instituição representada por ela.

Mas não foi só o instituto Alana que estava presente na "audiência pública". Várias entidades e profissionais ligados ao segmento como Maurício de Souza, Anvisa, CONAR, ABERT, ABAP estiveram lá, além da ABRINQ, representada por seu presidente, Sybésio Batista da Costa, o qual tem uma opinião bastante combativa sobre o Projeto de Lei: "...o clima mudou, parece que somos culpados pela morte da bezerra. Mas não vamos ceder. Só aceitamos que se discuta a conduta da publicidade. Para proibir a publicidade de brinquedos vão ter que me matar antes".

Bem, vamos aguardar que nada de mal aconteça ao Sybésio, enquanto isso, vale lembrar a semântica de Isabella Henrique, que defende a proibição da propaganda direcionada aos menores de 12 anos e não a proibição da publicidade de produtos para a infância. Sutil não? Repararam a grande diferença? Então, qual a pessoa hoje, de 12 anos, que ainda é criança?? E, uma vez aprovada a lei, quem vai definir qual a idade do público que o comercial está atingindo? E o que vale e o que não vale?

Papai Noel vai poder? E o Coelho da Páscoa? Como fica a divulgação nos pontos-de-venda? E nas revistas? (a Alana quer tirar os anúncios da revista da Mônica). E se porventura, a Estrela resolver fazer um comercial institucional, alertando que a criança deve ter cuidado ao atravessar a rua, isso vai ser proibido? E se um fabricante de sucos de laranja divulgar as vantagens dos alimentos naturais para crianças, isso também vai ser proibido?

E aqui não estou cometendo nenhum exagero, a coisa começa a ficar feia com proibições desse tipo e com discursos "politicamente corretos" por gente que "só quer o bem da sociedade". No início, fecha-se uma pequena e inocente janelinha, depois e sorrateiramente, a casa inteira está trancada. Já vimos esse filme antes, e não era nenhum comercial de 30 segundos - na verdade durou mais de 20 anos.

E o que o Popeye tem a ver com isso??

Para quem não sabe, o marinheiro Popeye foi criado devido a uma super produção de espinafre, isso no século passado, lá nos EUA. Então resolveram dar vida ao homem que fica mais forte comendo, a até então, desprezada verdura, e o público-alvo, naturalmente, era menor de 12 anos. O que prova, mais uma vez que, não somente a publicidade, mas uma boa estratégia de marketing é indispensável para atingir resultados. Só espero que nenhuma PL ou a Alana, venha "espinafrar" os desenhos do personagem.

*Mais em:

http://www.meioemensagem.com.br/novomm/br/conteudo_maiusculo/?Audiencia_publica_discute_publicidade_infantil_1



3.6.09

A Vitória do Bom Senso



O Rio de Janeiro continua lindo! E é de lá que vem uma excelente notícia para a área de comunicação: as expressões estrangeiras continuarão na publicidade carioca - sem a necessidade de sua devida tradução. A vitória foi da Fecomércio/RJ - Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro - que conseguiu uma limitar contra Lei Municipal 5033, sancionada pelo prefeito Eduardo Paes - as informações são de O Globo.


Para a Fecomércio carioca essa lei é inconstitucional, por restringir a liberdade de manifestação de pensamento. Leonardo Pessoa, coordenador do Núcleo Jurídico da entidade, declara: "Você imagina se cada um dos 92 municípios do Rio tivessem uma lei diferente sobre a questão da propaganda? Seria o caos. Essa questão só pode ser prevista em legislação federal" - Imaginem se o Kassab ouve isso!!


Utilizando de bom senso, o qual tantas vezes falta a nossa classe política, Godofredo de Oliveira, presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, lembra que "se as empresas usam esses termos para atrair clientes, é sinal de que seu público entende a mensagem". E vai além: "o idioma tem uma autorregulamentação e seria complicado definir o que é um abuso ou não nas propagandas".

Como acredito ter deixado claro no post abaixo, sou totalmente contrário a qualquer regulamentação que censure a liberdade de expressão. O grande problema de legislações como essa é que podem se proliferar pelo Brasil afora - a propaganda já virou um bom alvo para quem pretende atrair holofotes - é fácil ser contra uma atividade que raramente se protege. Restringir a publicidade se transformou em palanque para políticos que, ao posarem de defensores da Língua Portuguesa, dos bons costumes e do politicamente correto, na verdade só querem a defesa de seus próprios interesses.